A vida do poeta, Adélia
há de ser mais triste do que alegre
alegria
até faz uns floreios
uma rima aqui, outra ali
mas alegria
não dá poesia.
Escritos de Ada
terça-feira, 10 de julho de 2018
quinta-feira, 5 de julho de 2018
Há muito tempo, venho tentando escrever poemas com mais frequência. Penso que dê para perceber que não tenho conseguido alcançar esse objetivo.
Por outro lado, tenho outras coisas a dizer sobre o tema do post intitulado "Gauche", mas poucos interlocutores para isso. Talvez um ou dois... Com isso, tem batido a vontade de usar este blog como o "diário" que ele já foi, mas voltado a um assunto mais específico.
Então, acho que voltarei a escrever em breve e com mais frequência.
É isso.
segunda-feira, 25 de junho de 2018
Sina
Nasci para ser não menos
do que eu mesma:
toda amor e prantos
curso por demais caudaloso
para tão rasos leitos.
do que eu mesma:
toda amor e prantos
curso por demais caudaloso
para tão rasos leitos.
quinta-feira, 15 de março de 2018
Marielle
Ela costumava enfeitar o cabelo.
Então
imagino-a de turbante
com uma flor de pano em três ou quatro cores
adornada pelo halo crespo.
Imagino-a entre as irmãs
- dezenas delas -
dizendo-lhes:
não devemos dar a eles a dádiva do silêncio
lutemos juntas
cada uma a seu modo:
podemos gritar
cantar
podemos até mesmo dançar
fluidas e fortes tal qual água sobre rocha
teimosas como flor que cresce no asfalto
e não morre.
Imagino-a de punho em riste
mas sorridente
festejada
pois não quero pensar nos rojões vermelhos
nem no corpo que já não resiste à gravidade
tampouco em como é fácil romper a tênue linha entre a existência e o nada.
Prefiro imaginar o estampido de palmas
talvez o movimento de uma saia rodada
e de pés escapando das sandálias
qualquer momento em que tenha havido felicidade
um segundo qualquer
em que tenha havido esperança.
Então
imagino-a de turbante
com uma flor de pano em três ou quatro cores
adornada pelo halo crespo.
Imagino-a entre as irmãs
- dezenas delas -
dizendo-lhes:
não devemos dar a eles a dádiva do silêncio
lutemos juntas
cada uma a seu modo:
podemos gritar
cantar
podemos até mesmo dançar
fluidas e fortes tal qual água sobre rocha
teimosas como flor que cresce no asfalto
e não morre.
Imagino-a de punho em riste
mas sorridente
festejada
pois não quero pensar nos rojões vermelhos
nem no corpo que já não resiste à gravidade
tampouco em como é fácil romper a tênue linha entre a existência e o nada.
Prefiro imaginar o estampido de palmas
talvez o movimento de uma saia rodada
e de pés escapando das sandálias
qualquer momento em que tenha havido felicidade
um segundo qualquer
em que tenha havido esperança.
quarta-feira, 14 de março de 2018
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
A criança
Cuidem bem dessa criança
porque ela é especial
– diz o velho tio
que enxerga o aqui e o além.
Essa criança é iluminada
– repete a prima descabelada
enquanto se esvai o gás da
coca-cola.
Alheia a tudo
a criança brinca
no seu mundo de papéis e letras
não entende as orações dos
adultos
pedindo que seu dom se preserve.
Cai a noite
e eles rezam ainda
enquanto deitam na rede a criança
que dorme imersa em luz:
não é de anjo
não é de deus
é só dela
a aura colorida que a embala.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Aqueles homens
Aqueles homens já me visitaram à meia-luz.
Um deles calçava sandálias de metal
que me calejaram o coração.
Outro me deu flores
mas quis fazer brotar frutos
onde nenhum olho d’água se via.
O que veio depois desconhecia sutilezas
ainda sinto suas mãos em meu pescoço
por causa delas parei de dormir em minha cama.
Aquele outro veio tingido em cinza
e deixou rastros por todos os cantos
um pacote de biscoitos sobre a mesa
cascos de cerveja na pia
mais papéis na estante
fios negros e grossos no chão e nos travesseiros
espinhos que não me deixavam dormir.
Um deles
– o das flores –
tinha mais coração do que eu.
– o das flores –
tinha mais coração do que eu.
Já os outros eram por demais pesados
mais penedos do que homens
mais rochedos do que gente.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
O homem no jardim
Vejo o homem de branco no jardim
coluna envergada pelo tempo
– bambu sob o vento –
mãos escurecidas de sol, terra e
tinta
sementeiras
emprenham o ventre úmido da terra
e a carne mole do papel.
Daquela viceja a vida
em flores (o mel)
e em frutos (o sumo)
do outro emana fel:
palavras.
Vejo o homem no jardim
envergando-se ensimesmado
sobre a terra
terra que morrerá
o solo, de estéril, se avessará
acabarão o mel e o sumo
quiçá as secas folhas de papel
mas não as palavras.
Estas viverão
para além do homem de branco
que planta poemas no jardim.
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
A turca
Dizem que em seu rosto há faróis.
Eu vejo flores
verde-festejo
azul-alegria
turquesa-abraço.
Eu vejo flores
verde-festejo
azul-alegria
turquesa-abraço.
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