Escritos de Ada

domingo, 29 de janeiro de 2012

Borges

“Dos diversos instrumentos utilizados pelo homem, o mais espetacular é, sem dúvida, o livro. Os demais são extensões de seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões de sua visão; o telefone, de sua voz. Em seguida, temos o arado e a espada, extensões de seu braço. O livro, porém, é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.” (Jorge Luis Borges)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Texto velho sobre o novo, porque o novo vem de novo (sempre)

Publiquei o texto a seguir no Novo Jornal, em novembro de 2009, período em que eu tentava lidar com minhas borboletas no estômago - elas sempre vêm quando me meto a andar em terrenos desconhecidos. Depois, a crônica veio parar aqui no blog em março do ano passado, outra época de incertezas - umas se dissipando, outra se avizinhando, batendo feio no meu estômago, no meu sono, no meu equilíbrio.
Agora, novamente. Um novo que vem se desenrolando desde semestre passado, um novo-novo se aproximando e um novo que nem começou ainda, mas já me traz as borboletas de novo. E, mais uma vez, esse texto me vem diante dos olhos. Não, eu não o procurava. Estava só vagando a esmo no meu próprio blog, sem saber o que fazer com a falta de palavras, a falta de sono, a falta de paciência, a falta de certezas... E meu próprio texto me parece providencial, agora. Ei-lo.


“Não há um porquê”, responde Phillipe Petit, estrela de O Equilibrista(direção de James Marsh e Oscar 2009 de melhor documentário), quando alguém pergunta o que o leva a atravessar grandes distâncias sobre uma corda bamba. 

O francês Phillipe Petit ganhava a vida nas ruas, fazendo truques de ilusionismo e de equilibrismo. Ficou famoso em 1971, quando, aos 22 anos de idade, caminhou sobre um cabo esticado entre as duas torres da catedral de Notre Dame, em Paris. Três anos depois, no dia 7 de agosto, burlou a segurança do extinto World Trade Center, em Nova York, para atravessar oito vezes seguidas o espaço entre as torres gêmeas. A performance durou quase uma hora e foi assistida por cerca de cem mil pessoas. O artista foi preso após o ato ilegal, e condenado a uma pena simbólica: fazer um espetáculo infantil, gratuito, em um jardim.

Andar sobre o vão entre as inacabadas torres gêmeas exigiu planejamento, treino do corpo e da mente e equilíbrio entre ambos. Depois, deslizar sobre o cabo. E mais. Phillipe fez graça para o público, sentou sobre a corda, pulou, conversou com as aves. Phillipe era um bamba da corda. Mas ainda um mortal – maluco – sobre um cabo de aço a mais de 400 metros de altura, sem segurança ou rede de proteção. A velha arte do equilibrismo, num trajeto nunca antes percorrido.

Repiso o clichê de propósito. Por quê? Não existe um porquê. Existe vontade.

Mas andar em novas trilhas exige, além da vontade, conhecer o terreno – ou a corda – onde se pisa. Planejar, calcular e seguir. Equilibristas experientes não temem o avanço em meio à lâmina do vento. Dão um passo para trás, oscilam para os lados, mas jamais param no meio da corda. O medo de cair impede o progresso.

No entanto, há que se ter cautela; correr expõe ao risco de tropeçar nos próprios pés, e o público sob a corda pode não amortecer a queda. Sempre há quem se divirta nessas ocasiões. Por isso, é importante manter o foco: levantar a cabeça e olhar para a frente evita a vertigem.

Mas os outros são os outros. Eles apenas podem assistir ao êxito ou à derrocada alheia. Arriscar-se na corda bamba é, primordialmente, desafiar-se, colocar-se à prova. E, mais do que arriscar, descobrir o ponto em que a força motriz transforma-se não em explosão desastrosa, mas na leveza de um Phillipe Petit, caminhando suspenso sobre o vão entre duas torres, cheio de uma vontade que só os malucos, em sua peculiar lucidez, possuem.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Travada

Achei que estivesse travada só para escrever poemas.
Hoje eu não consegui escrever uma linha da minha dissertação.
Falta uma semana para o final do prazo.
Deus me ajude.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Poema do livro "Águas"

Lembra
daquele caderno de capa azul
margens abarrotadas de versos?

Vou dobrá-lo em um barquinho
e navegá-lo
em alto mar

o vento no leme.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

2011, D.E.P.

Pela primeira vez, senti muita vontade de chorar na virada do ano, pensando no que foi 2011. Ainda não achei um adjetivo para dizer o quanto o ano passado difícil, mas também incrível. Foi O ano.
Enquanto eu via os fogos, só conseguia agradecer a Deus por tudo e pensar que crescer dói, mas é necessário e bom. Muito bom.
Esse vai ser outro ano difícil. Mas eu vou dar conta, porque eu quero. Quero mais que 2012 venha com tudo e com força.